Paulo Peres

1 Abr , 2011 Sem categoria

A mesa Otto, da autoria de Paulo Peres, vice-presidente da ADS, valeu-lhe o prémio de vencedor do Concurso “Planet Design” – Concurso de Design de Mobiliário organizado pela Associação Nacional de Jovens Empresários. O Prémio atribuído foi uma viagem a Milão e visita ao “Salone Internazionale del Mobile” um dos mais importantes eventos de mobiliário e de design a nível mundial, que se realizou de 12 a 17 Abril.

 

ADS – A peça vencedora do concurso Planet Design 2011 foi a tua mesa ‘otto’. Qual o conceito da peça?

Paulo Peres – A mesa de centro “otto” é um objecto versátil, de design simples, funcional e intuitivo, feito apenas num material, em OSB “Orien­ted Strand Board” ou aglomerado de partículas de madeiras longas e orientadas. É um objecto que, em relação às mesas de centro existentes no mercado, acrescen­ta a possibilidade de aliar duas funções, a de proporcionar arru­mação de pequenos objectos, tais como livros, revistas, comandos de televisão e outros objectos no seu interior e por fim, a de pro­porcionar ao seu utilizador, atra­vés de um componente retráctil (2 unidades), que pode ser utilizado como tabuleiro.

ASD – O que achaste mais interessan­te na visita ao “Salão Interna­cional de Milão”?

PP – Para mim o mais relevante des­ta exposição foi o facto de ao percorrer todos os pavilhões do Salone Internazionale del Mo­bile de Milão, ver o que está a acontecer, o que se faz, o que há de novo no design internacional e quais as principais tendências. Verificar quais os produtos mais e menos explorados, e claro, en­contrar inspiração para futuros projectos.

ADS – Quais foram as peças que mais te marcaram?

PP – Gostei de inúmeras peças, mas as linhas de objectos que mais me marcaram foram os trabalhos da Glas Italia, Molteni & C, MDF Italia, as poltronas Kristalia e da B-Line. Achei bastante interessan­te a combinação de materiais do estúdio Swedish Ninja, o traba­lho desenvolvido em cortiça pelo designer português, Tiago Sá da Costa e dos trabalhos do estúdio japonês Illirico Bank.

Quanto à iluminação, gostei bastante das peças de Benjamin Hubert desenvolvidas para a Fa­bbian , dos trabalhos realizados pela empresa Espanhola LZF na forma como é explorada a malea­bilidade da madeira , a iluminação Empirico de Karim Rashid para a Artemide e a simplicidade das peças de Gio de Angeletti Ruzza.

ADS – Quais foram as tuas impres­sões da cidade de Milão?

PP – Milão é uma cidade que “inspira e expira” design. As pessoas têm imenso orgulho em que esta cidade seja considerada uma das principais capitais da moda e do design.

É perceptível quando passeamos pelas ruas de Milão, que a maioria das pessoas dá bastante importância à aparência, ao vestuário e calçado, à relojoaria, aos perfumes e ao design de equipamento. Denota-se um sentido estético bastante apurado por parte dos cidadãos de Milão e um grande orgulho pelo facto da cidade acolher esta designweek international.

ADS – Como te interessaste pelo de­sign de mobiliário? Qual a tua formação?

PP – O interesse pelo design de mobiliário surgiu por volta dos meus 16 anos, embora na altu­ra, recordo-me de estar indeciso entre ingressar no curso de ar­quitectura ou no curso de design de equipamento. Um factor que contribuiu para a minha decisão foi a visita à exposição INTER­CASA 2002 – Salão Internacio­nal do Mobiliário, Decoração e Iluminação, na FIL em Lisboa. Sei que depois desta exposição se tornou clara a minha vontade de ingressar no curso de Design de Equipamento da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa no ano de 2003, o qual concluí em 2008.

ADS – Quais os teus objectivos nes­te momento e planos para o futuro?

PP – Continuar a desenvolver projec­tos na área de design de equipa­mento e a colaborar activamente com a Associação de Designers do Sul, como parte da direcção.

ADS – O Algarve não é muito conhe­cido em termos de design de mobiliário – o que achas que pode ser feito?

PP – Acredito que com o contribu­to de vários profissionais e com a colaboração entre entidades, o Algarve tem muito potencial para explorar nesta área. Penso tam­bém que é necessário analisar as verdadeiras potencialidades desta área, especialmente agora que o país está a passar um momento particularmente difícil, é neces­sário inovar para que os produ­tos portugueses tenham algo a dizer neste mercado global cada vez mais competitivo. Na minha opinião, o design poderá ser um factor decisivo para que os produ­tos portugueses se afirmem como produtos de qualidade e cada vez mais apetecíveis não só dentro do país como também fora dele.

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