Estudantes de design da Universidade de Hamburgo procuram o artesanato e as matérias primas do Algarve

27 Mar , 2013 Uncategorized

No início do mês de Março a ADS acompanhou a Miryam Pippich, a Kathrin Zelger e a Sara Kaiser, três estudantes de Design oriundas da Alemanha, num roteiro pelo artesanato e matérias primas na serra algarvia. Estas estudantes do 1º ano do curso de Design de Produto da Universidade de Belas Artes de Hamburgo, da Alemanha, decidiram rumar a Portugal em busca de inspiração para os seus projetos futuros. Durante 2 semanas andaram de norte a sul de Portugal a investigar e a conhecer as fábricas, artesãos e locais de onde são originárias as matérias primas nacionais, demonstrando grande interesse, curiosidade e valor por este património. E foi dessa forma que contactaram a ADS, a Rota da Cortiça, entre outras entidades regionais, para as auxiliar nessa tarefa. De salientar que Sara Kaiser viveu em Loulé durante alguns anos, tendo criado uma ligação à cultura e tradição portuguesa que parece ter levado para a Alemanha pretendendo agora, juntamente com as suas colegas, explorar em produtos de Design.

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Na sua opinião Portugal tem materiais e técnicas artesanais, bem como industriais, bastante interessantes e demasiado valiosas para se perderem e foi com base nesta afirmação que decidiram vir a Portugal conhecer mais profundamente essas potencialidades. A ADS para além de as acompanhar numa visita ao sr Custódio Cavaco, artesão bastante conhecido de São Brás de Alportel, pelos seus excelentes trabalhos na técnica de empreita de palma, tivemos oportunidade de visitar e falar com a designer e ceramista Betty Bernadette, e ainda as acompanhámos numa visita guiada pela rota da cortiça, dirigida pela Sofia Carrusca.

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Através deste roteiro as jovens puderam conhecer, experimentar e explorar alguns dos materiais mais utilizados na região, com especial destaque para a empreita de palma, o esparto e a cortiça. Puderam ver o local de onde são recolhidas, o seu tratamento, as suas propriedades e características, a história associada, bem como visitar uma das fábrica de transformação de cortiça de São Brás de Alportel, a Nova Cortiça, e ver todo o processo.

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Fica aqui a entrevista que realizámos:

<strong>Porquê e como surge a ideia de vir a Portugal?</strong>
Percebemos que o artesanato português parece estar a perder-se. As pessoas não dão o mesmo valor, como o faziam antigamente, o que achamos ser lamentável. Percebemos que uma das razões para que isso tenha acontecido foi a falta de inovação, foi assim que decidimos fazer uma viagem de duas semanas por Portugal e aí iríamos aprender com diferentes artesãos.

<strong>Quais foram os vossos principais objetivos?</strong>
Os nossos principais objetivos foram promover o artesanato português, aprender as diferentes técnicas de cada tipo de artesanato, desenvolver novas ideias com os esses conhecimentos e na melhor das hipóteses manter em contato com cada artesão, de modo a ser capaz de trabalhar em futuras colaborações.

<strong>Que lugares / artesanato / materiais que você visitaram ao longo da vossa viagem? Quanto tempo levou?</strong>
A nossa jornada foi de 1 a 14 de Março. Nós começámos no norte do país, uma visita a um lindo casal de Cesteiros, o Manuel e a Rosa, de Braga. Passámos dois dias com eles que nos receberam de braços abertos e nos ensinaram o básico, deixaram-nos filmar e disseram-nos muitas coisas interessantes. Depois fomos para Espinho, onde fomos acompanhadas pela Cláudia Pimenta e António Apura, da APCOR , que nos levaram a visitar muitas fábricas de cortiça diferentes. Em Cascais, estivemos no “Cerâmica de Bicesse”, onde são realizados “Azulejos” típicos portugueses.

<strong>Como foi aqui no Algarve? Que lugares / artesanato / materiais aqui encontraram?</strong>
No Algarve, visitámos o Sr. Cavaco Custódio, que utiliza a tradicional técnica de empreita de palma para criar cestas muito bonitas. Também nos reunimos com Sofia Carrusca da “Rota da Cortiça”, que levou ao montado de sobreiros e a uma fábrica de cortiça que produz os discos para rolhas de champanhe.

<strong>Vocês acham importante preservar estes conhecimentos? Porquê?</strong>
Achamos que é muito importante preservar o conhecimento de todos os artesãos portugueses, uma vez que é uma parte muito importante da cultura portuguesa. Seria lamentável se este conhecimento fosse perdido!

Muito obrigado,
Sara

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